As facas de Aiko / Single Reise: Aikos Messer / Aiko’s knives / los Cuchillos de Aiko / Les couteaux de Aiko

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Era a primeira vez que deixava a casa dos meus pais para ir viver para a Alemanha. Primeiro fui para um hostel, também pela primeira vez, e resolvi partilhar um quarto com outras três mulheres. Eram todas turistas, eu era a única que vivia lá, ou melhor, começava a viver naquela nova cidade.

Estava a tentar adaptar-me, tudo era novo. Queria encontrar a minha nova casa. É bom estar num hostel como turista, não para viver quando precisas de te levantar cedo e começar um horário de trabalho. Queria também desfazer a minha mala gigante. Tinha comprado em Portugal tantas coisas, até champôs, porque achei que na Alemanha tudo seria muito mais caro, e eu tinha só uma pequena bolsa. Perguntei no meu Instituto se me podiam ajudar a encontrar um quarto para alugar.

Disseram-me que tinham enviado um email a perguntar às pessoas e havia um professor de outra universidade que tinha um quarto para alugar. Há três meses que eu também recebia alguns anúncios do Serviço Internacional de Estudantes, mas tinha sempre em mente o conselho do meu pai: primeiro ficas num hotel, vês a cidade com os teus próprios olhos e depois escolhes onde morar e com quem. Mas eu já estava há três dias no hostel. Parecia duas semanas.

Queria mesmo desfazer a mala e começar a minha nova vida. Então, um dia eu telefonei a esse professor. Ele disse-me que estava em casa e se eu quisesse podia poder passar e ver o quarto. Fui depois do almoço, apanhei o metro e segui a morada. Era uma zona muito bonita, com muitas árvores e boas casas. Mas havia exactamente lá um cemitério. “Oh meu Deus, viver perto de um cemitério!”, pensei. Parecia-me assustador… Podia ter pesadelos e não dormir.

“Bem, vamos ver o quarto”. Toquei à porta e apareceu um senhor alemão já com a sua idade. Parecia simpático. Subi as escadas e ele mostrou-me o quarto. Era um quarto pequeno com uma cama pequena. Mas tinha uma grande janela e, felizmente, não para o cemitério. O apartamento tinha um estilo agradável, muitos livros e arte. Gostei. E havia uma varanda cheia de lindas flores.

“Mas, e o cemitério?”. Era exactamente essa a vista. O senhor compreendeu a minha preocupação e disse-me: “não se preocupe, este é um cemitério antigo, há muitas pessoas que vão lá passear e eu vou muitas vezes lá com os meus netos, eles adoram ver os anjos”. Devo acreditar nas suas palavras?

Eis então o momento chave. Vamos à cozinha e ele mostra-me muitas facas na parede. Disse-me que isso era para Aiko. Comecei a imaginar: Aiko é um asiático baixinho que gosta de me colocar contra a parede e atirar facas! “Oh meu Deus, que assustador!”. Mantive-me calma sem demonstrar medo e fomos à sala de estar. Lá senti paz. O senhor disse-me que tinha tido uma boa impressão minha e que estava pronto para me alugar o quarto. Naquele momento, eu gostaria de nunca ter deixado a casa dos meus pais. Sozinha, tenho que sair do hostel e tenho que decidir. “Sê optimista, pensa positivo”.

Então disse-lhe: “Sim, fico com o quarto”. Assinei um documento de acordo e disse-lhe que ia ao hostel buscar as minhas coisas. Estava com medo, mas fiquei feliz. Na primeira noite, é claro, coloquei uma cadeira contra a porta e não dormi bem a noite inteira.

Mas o tempo passou e depois de duas semanas percebi que Aiko era uma japonesa, uma pianista, que precisava das facas para preparar a sua comida. E também percebi o quanto era bom passear pelo cemitério e o prazer de me sentar na varanda e olhar para um cemitério verde em vez de olhar para outro prédio e dar de caras com as pessoas a tratar da casa. Quanto ao senhor, hoje em dia chamo-lhe o meu “Avô Alemão”!

Agradeço a Deus por ter estado a meu lado naquele momento difícil!

(Texto originalmente publicado em http://www.datescatolicos.org)

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Es war das erste Mal, dass ich das Haus meiner Eltern verließ, um nach Deutschland zu ziehen. Zuerst ging ich auch zum ersten Mal in ein Hostel und beschloss, ein Zimmer mit drei anderen Frauen zu teilen. Sie waren alle Touristen, ich war die einzige, die dort lebte, oder besser, ich fing an, in dieser neuen Stadt zu leben.

Ich habe versucht mich anzupassen, alles war neu. Ich wollte mein neues Zuhause finden. Es ist gut, in einem Hostel als Tourist zu sein, nicht zu leben, wenn man früh aufstehen und einen Arbeitsplan beginnen muss. Ich wollte auch meinen riesigen Koffer auspacken. Ich hatte in Portugal so viele Sachen gekauft, sogar Shampoos, weil ich dachte, dass in Deutschland alles viel teurer wäre und ich nur ein kleines Stipendium hätte. Ich fragte in meinem Büro, ob sie mir helfen könnten, ein Zimmer zur Miete zu finden.

Sie erzählten mir, dass sie ein E-Mail geschickt hatten, um Leute zu fragen, und da war ein Professor von einer anderen Universität, der ein Zimmer zu vermieten hatte. Vor drei Monaten erhielt ich auch einige Ankündigungen vom International Student Service, aber ich hatte immer den Rat meines Vaters: Zuerst bleibst du in einem Hotel, du siehst die Stadt mit eigenen Augen und dann wählst du, wo du wohnst und mit wem. Aber ich war schon seit drei Tagen im Hostel. Es sah nach zwei Wochen aus.

Ich wollte wirklich auspacken und mein neues Leben beginnen. Dann habe ich eines Tages diesen Lehrer angerufen. Er sagte mir, dass er zu Hause sei und wenn ich wollte, könnte ich vorbeikommen und das Zimmer sehen. Ich ging nach dem Mittagessen, nahm die U-Bahn und folgte der Adresse. Es war eine sehr schöne Gegend mit vielen Bäumen und guten Häusern. Aber da war ein Friedhof. “Oh mein Gott, in der Nähe eines Friedhofs zu leben!”, dachte ich. Es schien gruselig … Ich könnte Albträume haben und nicht schlafen.

“Nun, lass uns das Zimmer sehen.” Ich klopfte an die Tür und ein deutscher Herr erschien in seinem Alter. Er sah nett aus. Ich ging die Treppe hoch und er zeigte mir das Zimmer. Es war ein kleines Zimmer mit einem kleinen Bett. Aber es hatte ein großes Fenster und glücklicherweise nicht zum Friedhof. Die Wohnung hatte einen schönen Stil, viele Bücher und Kunst. Ich mag es. Und da war ein Balkon voller schöner Blumen.

“Aber was ist mit dem Friedhof?” Das war genau die Ansicht. Er hat meine Sorge verstanden und gesagt: “Mach dir keine Sorgen, das ist ein alter Friedhof, es gibt viele Leute, die dorthin gehen und ich gehe oft mit meinen Enkeln dorthin, sie lieben es, die Engel zu sehen.” Soll ich seinen Worten glauben?

Hier ist der Schlüsselmoment. Wir gingen in die Küche und er zeigt mir viele Messer an der Wand. Er sagte mir, das sei für Aiko. Ich begann mir vorzustellen: Aiko ist ein kleiner Asiater, der mich gerne an die Wand setzt und Messer wirft! “Oh mein Gott, wie gruselig!” Ich blieb still ohne Angst zu zeigen und ging ins Wohnzimmer. Dort fühlte ich Frieden. Er sagte mir, er hätte einen guten Eindruck von mir und wäre bereit, mir das Zimmer zu vermieten. In diesem Moment wünschte ich, ich hätte nie das Haus meiner Eltern verlassen. Alleine muss ich das Hostel verlassen und mich entscheiden. “Sei optimistisch, denke positiv.”

Dann sagte ich: “Ja, ich nehme das Zimmer.” Ich unterzeichnete ein Dokument der Zustimmung und sagte ihm, dass ich zum Hostel gehen würde, um meine Sachen zu holen. Ich hatte Angst, aber ich war glücklich. In der ersten Nacht stellte ich natürlich einen Stuhl an die Tür und schlief die ganze Nacht nicht gut.

Aber die Zeit verging und nach zwei Wochen wurde mir klar, dass Aiko eine Japanerin war, eine Pianistin, die Messer brauchte, um ihr Essen zuzubereiten. Und ich erkannte auch, wie gut es war, durch den Friedhof zu schlendern und das Vergnügen, auf dem Balkon zu sitzen und auf einen grünen Friedhof zu schauen, anstatt auf ein anderes Gebäude zu schauen und Leute sehen, mit dem Haus umzugehen. Was ihm betrifft, nenne ich ihn heute meinen “deutschen Großvater”!

Ich danke Gott in dieser schwierigen Zeit an meiner Seite zu sein!

(Text ursprünglich veröffentlicht unter http://www.datescatolicos.org)

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It was the first time I had left my parents’ house to move to Germany. First I went to a hostel, also for the first time, and decided to share a room with three other women. They were all tourists, I was the only one who lived there, or rather, I started living in that new city.

I was trying to adapt, everything was new. I wanted to find my new home. It’s good to be in a hostel as a tourist, not to live when you need to get up early and start a work schedule. I also wanted to undo my giant suitcase. I had bought so many things in Portugal, even shampoos, because I thought that in Germany everything would be much more expensive, and I only had one small grant. I asked at my office if they could help me find a room for rent.

They told me that they had sent an email asking people and there was a professor from another university who had a room to rent. Three months ago I also received some announcements from the International Student Service, but I always had my father’s advice in mind: first you stay in a hotel, you see the city with your own eyes and then you choose where you live and with whom. But I was already in the hostel since three days. It looked like two weeks.

I really wanted to unpack and start my new life. Then one day I called this professor. He told me that he was at home and if I wanted I could go by and see the room. I went after lunch, took the subway and followed the address. It was a very beautiful area, with many trees and good houses. But there was a cemetery right there. “Oh my God, living near a cemetery!” I thought. It seemed scary … I could have nightmares and not sleep.

“Well, let’s see the room.” I knocked on the door and a German gentleman appeared at his age. He looked nice. I went up the stairs and he showed me the room. It was a small room with a small bed. But it had a big window and, fortunately, not to the cemetery. The apartment had a nice style, lots of books and art. Liked it. And there was a balcony full of beautiful flowers.

“But what about the cemetery?” That was exactly the view. He understood my concern and told me: “Do not worry, this is an old cemetery, there are many people who go there and I go there often with my grandchildren, they love to see the angels.” Should I believe his words?

Here comes the key moment. We go to the kitchen and he shows me many knives on the wall. He told me these were for Aiko. I started to imagine: Aiko is a small Asian who likes to put me up against the wall and throw knives! “Oh my God, how scary!” I kept quiet without showing any fear and went to the living room. There I felt peace. He told me he had a good impression of me and that he was ready to rent me the room. At that moment, I wished I had never left my parents’ house. Alone, I have to leave the hostel and I have to decide. “Be optimistic, think positive.”

Then I said, “Yes, I’ll take the room.” I signed a document of agreement and told him that I would go to the hostel to get my things. I was scared, but I was happy. The first night, of course, I put a chair against the door and did not sleep well all night.

But time passed and after two weeks I realized that Aiko was a Japanese, a pianist, who needed the knives to prepare her food. And I also realized how good it was to stroll through the cemetery and the pleasure of sitting on the balcony looking at a green cemetery instead of looking at another building and getting people to deal with the house. As for him, nowadays I call him my “German Grandfather”!

I thank God for being by my side at that difficult time!

(Text originally published at http://www.datescatolicos.org)

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Era la primera vez que dejaba la casa de mis padres para ir a Alemania. Primero fui a un hostel, también por primera vez, y decidí compartir una habitación con otras tres mujeres. Eran todos turistas, yo era la única que vivía allí, o mejor, empezaba a vivir en aquella nueva ciudad.

Estaba tratando de adaptarme, todo era nuevo. Quería encontrar mi nueva casa. Es bueno estar en un hostel como turista, no para vivir cuando necesitas levantarte temprano y comenzar un horario de trabajo. Quería también deshacer mi maleta gigante. Había comprado en Portugal tantas cosas, a los champús, porque pensé que en Alemania todo sería mucho más caro, y sólo tenía una pequeña beca. Pregunté en mi Instituto si me podían ayudar a encontrar una habitación para alquilar.

Me dijeron que habían enviado un correo electrónico a preguntar a la gente y había un profesor de otra universidad que tenía una habitación para alquilar. Hace tres meses que yo también recibía algunos anuncios del Servicio Internacional de Estudiantes, pero siempre tenía en mente el consejo de mi padre: primero te quedas en un hotel, ves la ciudad con tus propios ojos y luego elige dónde vivir y con quién. Pero yo ya estaba hace tres días en el hostel. Parecía dos semanas.

Quisiera incluso deshacer la maleta y comenzar mi nueva vida. Entonces, un día llamé a ese profesor. Él me dijo que estaba en casa y si yo quería podía pasar y ver el cuarto. Fui después del almuerzo, cogí el metro y seguí la dirección. Era una zona muy bonita, con muchos árboles y buenas casas. Pero había exactamente un cementerio. “¡Oh Dios mío, vivir cerca de un cementerio!”, Pensé. Me parecía asustadizo … Podía tener pesadillas y no dormir.

“Bueno, vamos a ver el cuarto”. Tomé la puerta y apareció un señor alemán con su edad. Parecía simpático. Subí las escaleras y me mostró el cuarto. Era un cuarto pequeño con una pequeña cama. Pero tenía una gran ventana y, afortunadamente, no para el cementerio. El apartamento tenía un estilo agradable, muchos libros y arte. Me ha gustado. Y había un balcón lleno de hermosas flores.

“Pero, ¿y el cementerio?”. Era exactamente esa la vista. El entendió mi preocupación y me dijo: “no te preocupes, este es un cementerio antiguo, hay muchas personas que van allá a pasear y yo voy muchas veces allí con mis nietos, ellos adoran ver a los ángeles”. ¿Debo creer en sus palabras?

Entonces es el momento clave. Vamos a la cocina y me muestra muchos cuchillos en la pared. Me dijo que eso era para Aiko. Empecé a imaginar: Aiko es un asiático bajito que le gusta ponerme contra la pared y disparar cuchillos. “¡Oh Dios mío, qué asustadizo!”. Me mantuvo tranquila sin demostrar miedo y fuimos a la sala de estar. Allí sentí paz. El me dijo que había tenido una buena impresión mía y que estaba listo para alquilar la habitación. En aquel momento, me gustaría nunca haber dejado la casa de mis padres. Sólo tengo que salir del hostel y tengo que decidir. “Sé optimista, piensa positivo”.

Entonces le dijo: “Sí, me quedo con el cuarto”. Firmé un documento de acuerdo y le dije que iba al hostel a buscar mis cosas. Estaba con miedo, pero me sentía feliz. En la primera noche, por supuesto, puse una silla contra la puerta y no dormí bien toda la noche.

Pero el tiempo pasó y después de dos semanas me di cuenta de que Aiko era una japonesa, una pianista, que necesitaba los cuchillos para preparar su comida. Y también percibí cuánto era bueno pasear por el cementerio y el placer de sentarme en el balcón y mirar un cementerio verde en vez de mirar a otro edificio y dar de caras con las personas a tratar de la casa. En cuanto a el, hoy en día le llamo mi “Abuelo Alemán”!

¡Agradezco a Dios por haber estado a mi lado en aquel momento difícil!

(Texto originalmente publicado en http://www.datescatolicos.org)

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